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A influência da guerra comercial EUA x China no preço dos grãos

     


    A guerra comercial que o presidente dos EUA Donald Trump está travando com seus parceiros comerciais tem causado grandes reflexos na precificação das commodities agrícolas.
A tarifa de 25% imposta pelos EUA a importações de 34 bilhões de dólares de produtos chineses abalou o comércio internacional. A China respondeu a esta investida elevando suas tarifas de importação para 25% a uma cesta de produtos, que inclui soja, milho e carne suína, buscando a compensação das perdas.
    A China é quase auto suficiente na produção de milho, importando pouco mais de 5 milhões de toneladas, mas quando se trata de soja, sua importação passou dos 97 milhões de toneladas em 2017, sendo que destes, 35 provenientes dos EUA. A exportação mundial de soja está concentrada em EUA, Brasil, Argentina e Paraguai. A China não tem condições de não importar soja dos EUA, pois não há outras origens com condições de exportar 35 milhões de toneladas adicionais, mas certamente a China dará prioridade para comprar todo o excedente dos demais exportadores antes de comprar o produto dos EUA com tarifação.
    A safra dos EUA está plantada e a partir de setembro com a colheita, poderemos confirmar estas estimativas e ver a efetivação do novo fluxo de soja pelo mundo.
Quanto ao preço, as cotações na bolsa de Chicago (CBOT) que balizam os preços em todo o mundo sofreram os maiores efeitos. As cotações da soja caíram dos níveis de U$10,00/bu (dólares por bushel) para próximo a U$8,50/bushel. Esta redução de 15% nos preços reduziu drasticamente a rentabilidade dos produtores rurais do EUA e tornou a sua soja a mais barata do mundo para exportação.
    Já a soja da América do Sul, fortemente demandada pelos chineses, não teve grandes reduções nos preços, mantendo os preços altos nos portos. Na linguagem do mercado, a soja teve os “prêmios” fortalecidos, que são o diferencial do preço comercializado no Brasil para os preços da bolsa de Chicago.
    Podemos concluir que com os preços atuais, os países da América do sul, com seus preços altos só conseguirão vender sua soja para a China e todos os demais importadores encontrarão nos EUA a soja mais barata para se comprar.
    Para o produtor brasileiro de soja, a continuidade desta guerra comercial e das tarifas impostas pela China manterá os preços da soja altos, podendo torná-los ainda mais caros até o início de 2019, quando o estoque brasileiro fica nos menores níveis antes da entrada da safra 2018/2019. 

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Por: Joel Lazzaretti em 20/07/2018.

Comentários

  1. Pois é!! Por isso, neste momento de uma possível e imediata paralisação do comércio internacional, depois de quase noventa anos de plena expansão, os EUA e a China conseguem protagonizar os conflitos mais importantes destes trincamentos do cristal de algo que parecia tão sólido. Os yankees materializaram a dominação e imposição do processo de globalização pelo centro do sistema. Enquanto os Chineses representaram e combinaram na periferia do sistema imperialista suas correspondentes formas dominadas e passivas.

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